Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Notícias

XI EVIDENCE 2026

XI Evidence reúne profissionais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional em um dia de debates sobre saúde mental, gestão, tecnologia e os novos desafios da profissão

O CREFITO-4 MG convidou especialistas de diferentes áreas para discutir inteligência profissional com fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais de todas as regiões do estado

O CREFITO-4 MG realizou, no dia 22 de agosto, em Belo Horizonte, a 11ª edição do Evidence – Fórum de Prerrogativas e Práticas Científicas. Com vagas esgotadas, o evento reuniu quase mil fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais no Hotel Ouro Minas, na capital mineira, em um dia dedicado ao tema da inteligência profissional. Os debates giraram em torno dos desafios contemporâneos das profissões e das competências necessárias para uma atuação cada vez mais qualificada.

A programação passou por saúde mental, gestão, sustentabilidade profissional, comunicação, posicionamento, inteligência artificial, prática baseada em evidências e propósito, com o objetivo de ampliar o olhar para além da formação técnica.

O presidente do CREFITO-4 MG, Dr. José Avelino de Melo Júnior, abriu a programação ao lado da nova diretoria do Conselho Regional, destacando o compromisso do grupo diante dos profissionais das duas áreas em todo o estado: “São 853 municípios, quase 43 mil fisioterapeutas, quase 3 mil terapeutas ocupacionais, quase 20 mil acadêmicos em Fisioterapia e Terapia Ocupacional em Minas Gerais. Nossa responsabilidade enquanto CREFITO-4 é estarmos perto da nossa classe.”

A manhã começou com uma discussão sobre saúde mental e bem-estar, conduzida pelo doutor em Neurociências pela UFMG, Daniel Hosken. O palestrante chamou a atenção para a relação entre hábitos e funcionamento cerebral. “Muitas vezes nosso comportamento e estilo de vida podem prejudicar a saúde do nosso cérebro e afetar o bem-estar. Mal começa o dia, já estamos cansados”, alertou o pesquisador. 

A reflexão abriu espaço para discutir como o desenvolvimento profissional precisa estar acompanhado de estratégias de cuidado com a própria saúde, especialmente diante das exigências crescentes de produtividade e desempenho.

Prosperidade profissional para além do esforço individual

A sustentabilidade da carreira foi tema de bate-papo com o Dr. Roberto Andrade e a Dra. Flávia Massa, que discutiram modelos de negócio, remuneração, gestão e os fatores que contribuem para uma trajetória profissional sustentável.

Roberto Andrade destacou que a prosperidade depende do esforço individual – capacidade de liderança e autonomia, ética e transparência, entrega de resultados efetivos. Mas não apenas disso, pois, além das competências, há instâncias do governo e do sistema corporativo de saúde que sustentam o exercício profissional. “O sucesso da profissão está vinculado a toda uma cadeia de valores, não apenas do empenho individual do profissional”, observou.

Na sequência, Flávia Massa reforçou a importância de ampliar a presença da Fisioterapia nos espaços de decisão e negociação. “A gente precisa colocar a fisioterapia nas mesas de negociações, de administração pública, de gestão do ensino superior, em todos os lugares onde for necessário para conseguir valorizar a nossa remuneração e os nossos modelos de negócios.”

A discussão reforçou que a valorização profissional passa não apenas pela qualidade da assistência, mas também pela capacidade da categoria de participar ativamente dos espaços onde são definidos os modelos de remuneração, as estratégias de gestão e as políticas públicas.

Gestão, tributação, reputação e experiências da alta performance

O tema tributário entrou em pauta com o Dr. Bernardo Chalfun, que discutiu a relação entre conhecimento sobre impostos, gestão financeira e sustentabilidade dos negócios em Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

A programação trouxe ainda discussões sobre percepção profissional, posicionamento, e gestão da carreira e da marca pessoal. A primeira palestra da tarde foi conduzida pela diretora-tesoureira do CREFITO-4 MG, Dra. Jocimar Martins, que trouxe uma reflexão sobre a construção da autoridade profissional.

“Estamos sempre em um palco social, seja no consultório, na sala de aula, em interações conscientes ou inconscientes em que precisamos gerir as impressões que deixamos nas pessoas. A primeira percepção forte sobre alguém influencia todas as impressões seguintes. E não dá para pensar em marca pessoal sem autoconhecimento”, defendeu. 

A palestrante explicou que posicionamento profissional vai além das redes sociais, envolvendo coerência entre conhecimento, comportamento e a experiência que cada profissional proporciona às pessoas com quem se relaciona.

Encerrando a programação da manhã, o Dr. Charles Costa levou ao palco experiências dos bastidores da alta performance esportiva, em especial a Copa do Mundo de 2026. Com trajetória ligada ao futebol brasileiro e a grandes competições internacionais, o fisioterapeuta propôs uma reflexão sobre as pessoas, relações, escolhas e o trabalho coletivo que estão por trás das grandes conquistas.

Tarde de empreendedorismo, tecnologia, ciência e humanização

Após o intervalo para almoço, a programação do XI Evidence voltou ao palco com reflexões sobre inteligência artificial, gestão da carreira, prática baseada em evidências e humanização. As palestras da tarde reforçaram que desenvolver inteligência profissional também significa compreender como competências humanas, tecnologia e conhecimento científico se complementam na atuação cotidiana.

Em uma apresentação voltada para gestão e tomada de decisões, o Dr. João Mendes, fisioterapeuta, abordou estratégias para diferenciação profissional e boas práticas de gestão, destacando a importância de compreender as oportunidades existentes no mercado, especialmente no atendimento domiciliar.

O também empreendedor e fisioterapeuta Dr. Leandro Reche provocou o público a repensar crenças sobre vendas e valorização profissional. Ao discutir geração de valor e crescimento sustentável dos serviços de saúde, a palestra reforçou que comunicar a qualidade do próprio trabalho é uma forma importante de ampliar o acesso ao cuidado e fortalecer a profissão.

Inteligência artificial como ferramenta, não como substituição

O Dr. George Sabino, fisioterapeuta, apresentou possibilidades concretas de utilização da inteligência artificial na rotina profissional. A mensagem central foi clara: a inteligência artificial pode ampliar capacidades, mas não substitui o julgamento clínico, a responsabilidade ética nem a tomada de decisão do profissional.

O Dr. Renan Resende, fisioterapeuta, e a Dra. Priscila Valadão, terapeuta ocupacional, encerraram a programação científica com uma discussão sobre raciocínio clínico baseado em evidências. Os palestrantes defenderam que a atuação profissional responsável exige a integração entre conhecimento científico, experiência e as necessidades e particularidades de cada paciente, especialmente diante das incertezas presentes na prática clínica. Segundo eles, inteligência profissional também significa desenvolver a capacidade de tomar decisões qualificadas em contextos complexos, sem reduzir o cuidado à aplicação automática de protocolos.

O futuro da profissão continuará humano

A atriz, cineasta e pesquisadora Danni Suzuki encerrou o evento com uma reflexão sobre o futuro das profissões da saúde em um contexto de rápidas transformações tecnológicas. Ao conectar neurociência, comportamento, comunicação e inteligência emocional, ela convidou os participantes a refletirem sobre quais competências serão indispensáveis em um cenário em que a tecnologia ocupa um espaço cada vez maior na prática profissional.

A palestrante destacou a importância fundamental da capacidade de construir relações, comunicar-se, colaborar, liderar e exercer um cuidado genuinamente humano. Ela afirmou que estas são competências que nenhuma tecnologia substitui.

Ao reunir especialistas e profissionais em torno de temas como saúde mental, gestão, comunicação, inteligência artificial e prática baseada em evidências, o XI Evidence reforçou que a inteligência profissional vai além da atualização técnica, e se constrói pela integração entre conhecimento, pensamento crítico, habilidades humanas e capacidade de adaptação. 

Após um dia intenso de compartilhamento de informações, experiências e debates, o XI Evidence reafirmou o compromisso do CREFITO-4 MG com a aproximação e o desenvolvimento da categoria, deixando como principal mensagem o convite para transformar conhecimento em prática profissional humanizada.