CREFITO-4 MG alerta para o papel do fisioterapeuta no tratamento da Apneia do Sono
Conselho destaca autonomia profissional garantida pela Resolução 536 e a importância do acompanhamento especializado para o sucesso dos tratamentos
No Dia Mundial do Sono, 13 de março, promovido pela World Sleep Society, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 4ª Região (CREFITO-4 MG) apoia a Semana Mundial do Sono promovida pela Associação Brasileira do Sono até o dia 17 de março. O objetivo é conscientizar a população sobre a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), condição que atinge 1 em cada 3 adultos em grandes centros urbanos brasileiros, segundo o estudo EPISONO (UNIFESP).
O conselho também destaca apoio as iniciativas de valorização, como o Movimento dos Fisioterapeutas do Sono, um projeto independente dos profissionais que busca promover a educação em saúde para a população sobre a importância do acompanhamento fisioterapêutico habilitado nos distúrbios respiratórios do sono, principalmente no tratamento CPAP para apneia do sono. Além de buscar normativas de regulamentação junto aos órgãos fiscalizadores e estimular que a temática do sono seja abordada nos cursos de formação e especialidades.
Para Aline Azevedo, fisioterapeuta do sono e delegada de representação política do CREFITO-4 MG em Varginha, o foco da campanha em 2026 é mostrar que o tratamento da apneia é clínico e multiprofissional, sendo primordial a participação do fisioterapeuta devidamente qualificado. “Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo tenham apneia e convivam com sintomas como ronco e sonolência sem saber a causa. A fisioterapia tem papel fundamental na educação e na melhora da adesão ao tratamento”, explica.
Cuidados para a segurança do tratamento
A Resolução COFFITO nº 536/2021 reconhece que o fisioterapeuta é um profissional de primeiro contato, com autonomia para realizar o diagnóstico funcional e a titulação de dispositivos de pressão positiva como o CPAP.
Aline Azevedo alerta que, embora seja reconhecido como o tratamento ‘padrão-ouro’ para a apneia obstrutiva do sono, o uso do CPAP sem orientação especializada compromete severamente o conforto e a eficácia terapêutica. A ausência de acompanhamento técnico eleva riscos como a aplicação de pressões inadequadas, a persistência de eventos respiratórios e a ocorrência de aerofagia (deglutição excessiva de ar com acúmulo de gases no aparelho digestivo).
Além de gerar desconfortos e vazamentos de máscara, o ajuste incorreto pode criar uma falsa sensação de tratamento, mantendo as queixas clínicas e levando ao abandono precoce da terapia.
“Muitas pessoas associam a apneia apenas à compra do aparelho, mas o fisioterapeuta é quem avalia a mecânica ventilatória, a anatomia facial para escolha da máscara e monitora os dados terapêuticos para evitar o abandono precoce do tratamento, além de um tratamento mal conduzido”, destaca Azevedo.
Como buscar ajuda qualificada?
Segundo a normativa do Conselho Federal, o profissional deve comprovar formação com carga horária mínima de 120 horas, sendo um terço destinado à prática. Além de verificar o currículo, o paciente deve checar a regularidade do profissional, consultando o número de registro no site oficial do CREFITO-4 MG. Também é recomendado procurar profissionais que atuem em equipes multidisciplinares de medicina do sono.