Fisioterapia: importante aliada no tratamento das crianças com autismo

Ao se falar sobre tratamentos em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é comum que inicialmente muitos pais e responsáveis desconheçam o trabalho do fisioterapeuta para a evolução do quadro clínico dessas crianças e a importância, para o desenvolvimento físico dos pequenos, do profissional estar inserido na equipe multidisciplinar desde os primeiros diagnósticos.

“As crianças com TEA apresentam déficits comportamentais que são decorrentes de comportamentos sensoriais incomuns e comportamentos motores estereotipados, ou seja, estereotipias sensório-motoras, em que podemos destacar movimentos repetitivos das mãos, balanço repetitivo do corpo, necessidade constante de movimentos motores (correr, pular, andar nas pontas dos pés, movimento repetitivo dos dedos, dentre outros). Essas estereotipias motoras assomadas com dificuldades sensoriais e dificuldades de planejar e executar movimentos corporais, ou seja, dificuldades de planejamento motor, não permitem uma experimentação motora adequada para promover o aprendizado cognitivo”, afirma a Dra. Carline Nogueira de Carvalho, fisioterapeuta com atuação em autismo em crianças.

Tendo como pressuposto que todo processo cognitivo é resultado de um bom desenvolvimento motor, se torna elementar a presença do fisioterapeuta para o tratamento de sucesso dos pacientes com TEA. É de extrema importância que o profissional componha também a equipe de avaliações diagnósticas desse paciente, tendo em vista que nos primeiros anos de vida não há um diagnóstico fechado, somente suspeita, sendo o trabalho do fisioterapeuta nessa fase inicial de suma importância para todo o desenvolvimento motor da criança.

“O fisioterapeuta tem como objetivo trabalhar aspectos motores, sensório-motores, tônus global, tônus postural, coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, noção espacial, planejamento motor, esquema corporal e imagem corporal, bem como regulação sensório-motora e engajamento juntamente com a equipe interdisciplinar que atende o paciente com TEA sempre respeitando as suas individualidades, promovendo, assim, a formação dos alicerces para as competências sociais, emocionais e intelectuais destas crianças”, destaca Dra. Carline Nogueira de Carvalho.